Cheguei atrasada em casa, corri tomar um banho. Debaixo do chuveiro escutei o celular tocando duas vezes. Corri vestir uma roupa, estava terminando de passar um batom, peguei o celular e tinha uma única mensagem. Dele. Dizia: a Tereza morreu. Isso faz dois anos. Depois daquela semana nunca mais nos falamos. Era ela o nosso elo. Indesejado, vale lembrar. Mas valia a pena. Tereza foi a parte mais doce da minha vida. Até hoje.
(...) Tereza era tão metódica pra lavar louça que mais parecia um ritual. Deve ser porque gostava. Nunca havia um copo sujo na pia. E assim que terminava o almoço lavava tudo antes de dormir seus 20 minutos diários antes de ir trabalhar. A casa de Tereza não era necessariamente limpa e organizada. Eu já vi roupas sujas penduradas no sofá. Aos domingos nunca fazia a cama.Tinha um gato velho, muito velho, que deixava umas bolinhas de pelo nos cantos. Acontece que ela nunca lavou as cortinas. Mas vivia falando que ia fazer. Com o tempo eu achava até graça. Mas a cozinha era um santuário. A pia um altar. Nunca me explicou essa obsessão. Tereza tirava os sapatos e deixava na porta todo dia. O gato dormia em cima. Abria a janela da sala e fumava um cigarro. Vez ou outra fazia um café. Do meu ponto de vista eram todos rituais sagrados. Eu era uma observadora religiosa de cada um deles. E o tempo me deixou a lembrança nítida de tudo. Eu não lavo a louça assim. Pensei que depois de tudo ...
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