tem lá um monte de caixas amontoadas no canto da sala. eu poderia jogar tudo fora e levar só o peito vazio para essa vida nova. mas eu, no meio de todas as coisas acumuladas, do lixo desses anos todos, escolhi uma e outra lembrança menos dolorida, as fotografias menos envelhecidas, uns cacarecos que resistiram ao tempo mais do que a minha loucura.
é como ter uma casa para abrir as janelas de par e par e não precisar fechá-las na hora da chuva pois agora a varanda é grande. e ter varanda grande é como ter o coração desafogado de mundo e viver, aliviadamente, um dia de cada vez.

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